Academia Petropolitana de Letras
Menu Dropdown - Linha de Código

 

Quadro Efetivo - Acadêmicos Titulares - GUSTAVO WIDER
GUSTAVO WIDER

Cadeira: 01 | Patrono: Paulino José S. de Souza.

Acadêmico Titular da Academia Petropolitana de Letras Cadeira nº 01 - Patrono Paulino José S. de Souza. Acadêmico Emérito da Academia Brasileira de Poeisa.

Livros Publicados:
- "Caminhos e Descaminhos" (poemas);
- "Portas Abertas" (poemas);
- "Contos e Crônicas";
- "Tratado Geral da Metrificação e Composição Poética."

Trabalhos:

DOIS POEMAS PARA MEU GATO

I

Na solidão da casa escura e fria
Eu e meu gato nos fazemos companhia
Ele me dá lições de alongamento
E mostra que a proximidade
Silenciosa e tranquila
Já é o suficiente...

E eu, entretanto, Lhe vou ensinando filosofia
E falo da necessidade de confiar na proteção divina...”
E a tirar por seu olhar de turmalina
Eu sou a própria divindade.

II

E aí converso com meu gato
Como se ele fosse gente
E ele conversa comigo
Como se eu fosse gato.

Porém , nenhum de nós
É inconsequente
Ou inexato,
É que eu tenho, talvez,
Alma de gato
E ele, que é gato,
Tem alma de gente.

OUTROS POEMAS

Perdão a ti

Perdão a ti, que és solar,
que és bandeira desfraldada
velas abertas ao vento
clara cantiga de amor
desfeita em luz pela estrada.

Perdão a ti , que és liberta
que não tens hora nem quando
nem amarras nem grilhões
nem cerca eletrificada
ou farol te iluminando.

Perdão por tudo o que sou:
temperamento lunar
pássaro esquivo das sombras
perdido na cerração
das névoas da madrugada.

Perdão a ti por ter ido
pousar à tua janela
e com meu canto chamar-te
a saltar num precipício
e mergulhar sobre o nada

e então irmos, de mãos dadas
pelo roteiro das nuvens
em demanda de um castelo
que fica atrás das montanhas
dessa miragem encantada

O que eu quero de ti

O que eu quero de ti?
Já nem sei mais o que quero de ti

Teu coração é um mistério cercado de palavras
( por todos os lados
E já não tenho braços para tanto mar.]
Nem vejo como caminhar sobre estrelas
entre ânforas de poesia,
Sinto que vou afundando devagar.
Entre ânforas de de poesia.
Afundarei entre lampejos de conchas
Que talvez guardem em seu bojo
todo teu mistério
Vou afundando entre estrelas do mar
( Seria sobre elas que querias caminhar? )

Afundarei, sei que afundarei
e tu ficarás cultivando tuas palavras
e teu muro, com teus versos murilando
oswaldeando, manuelando...

afundarei em meus caminhos e descaminhos
e tu ficarás cantando


Academia Petropolitana de Letras

© 2014 - Academia Petropolitana de Letras
Todos os direitos reservados