Academia Petropolitana de Letras
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Quadro Efetivo - Acadêmicos Titulares - DR. FERNANDO DE SOUZA DA COSTA
DR. FERNANDO DE SOUZA DA COSTA

Cadeira: 22 | Patrono: Raul de Leoni

Advogado, Poeta, Jornalista e Artista Plástico.Curso de Teologia - Instituto Teológico Franciscano. Detentor da Medalha Köeler no grau CRUZ DE DISTINÇÃO, da Medalha Tiradentes, Colar do Mérito Jurídico e de outros lauréis e diplomas. Titular das Academias: Petropolitana de Letras; de Letras Jurídicas; Letras do Estado do Rio de Janeiro, Brasileira de Jornalismo, do Instituto Histórico de Petrópolis; da Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni, sendo um de seus fundadores. Autor dos livros de poesias Silepses I e II (1977/1978) – Hosanas (1986) – Caminhando Juntos (1986 e 1987) - Gotas de Cristal (1993) - O Orvalho e a Rosa (1994) – Co-autor: no livro “Colóquio da Língua Portuguesa (1999). Editado em Sintra Portugal – 3ª Edição, e participação em inúmeras antologias, tendo suas produções publicadas também em revistas e jornais.

Trabalhos:

*Fernando Costa

1) Minha Terra

Autor: Munir Jacob

Todos cantam sua terra
Também vou cantar a
minha
Em ciranda nesses versos
Com a ajuda de uma rima.

2)Autora: Liünha Fernandes

Chorei na infância insofrida para ir na roda cantar:
hoje, na roda da vida eu canto p'ra não chorar

3) Meus oito anos

Casemiro de Abreu

Oh ! Que saudades que
tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem
mais!

"O TEJO É MAIS BELO QUE O RIO QUE CORRE PELA MINHA ALDEIA,
MAS O TEJO NÃO É MAIS BELO QUE O RIO QUE CORRE PELA MINHA
ALDEIA.PORQUE O TEJO NÃO É O RIO QUE CORRE PELA MINHA ALDEIA".

(FERNANDO PESSOA - PSEUDÓNIMO ALBERTO CAIEIRO)

Desde muito jovem Aloysio Azevedo e sua irmã Maria Helena Azevedo ganharam minha amizade e a intimidade de meu coração. Ao ler o livro "Por onde andou meu cotação" de Maria Helena, fiquei impressionado. Suas memórias identificavam-se com as minhas.

Queridos Confrades, considerando o tema deste encontro onde a direção escolheu o título "os Acadêmicos mostram quem são por sua obra e sua história" convido-os a visitar meu coração dizendo-lhes que minha infância foi impregnada de verde, vasta natureza, mistura de pradarias e colinas que ainda hoje teimam em povoar minha mente. Ora recordo os banhos de poço, as canoinhas morro abaixo, as cantigas de roda, os esconde-esconde, os piques, as cabra-cegas, a colheita de gravetos para transformá-los em artesanatos, os mangais, as goiabas e outras frutas colhidas diretamente em seus pés, no doce convívio da fazenda que ainda hoje inunda meu paladar que tem cheiro de café torrado e socado no pilão. Ah, como era gostoso caminhar pelas estradas sinuosas ou retas em meio à terra batida e empoeirada, a caminhada por entre a reíva atapetada de capins-melado. E os passeios de charrete ou a cavalo? Tudo está gravado em meu coração.

Minha saudade é emoldurada pelas cercaduras azuis que adornavam o casarão colonial de imponentes beirais em que nasci e me criei e continua a rondar a memória, por isso que as andorinhas estão sempre presentes nos mais diversos desenhos que ouso cometer nas telas ou desenhos a exemplo do símbolo da Academia Brasileira de Poesia, Casa de Raul de Leoni, que a pedido criei, por ocasião de sua fundação há 25 anos. Nasci num seio fortemente religioso e desde cedo, devo à mamãe inquebrantável devoção à Maria Mãe de Deus e nossa. Por isso, não esqueço-me das tardes quando assentávamos sob o pórtico construído com madeira de lei e ali naquelas pedras almofadadas mamãe nos contava histórias de cunho religioso, pedagógico e do cotidiano. Desde meu nascimento residi ao lado de minha 1a escola primária, e quem compareceu à festa em honra aos mestres que aqui realizamos, em outubro do ano passado, viu e ouviu minhas mestras primeiras Sebastiana do Carmo e Alice Maria Gac Coelho. Quando entrei no colégio já sabia ler e escrever. Sou filho de numerosa família, somamos ao todo, 12 irmãos e àquela altura já havia 5 irmãos à minha frente portanto fui o sexto. Graças a Deus que minha infância e adolescência foi vivida literalmente dentro da igreja e essa formação fundamentou minha vida. Era diário meu convívio à catequese, estudando as Sagradas Escrituras, Jesus Cristo ensinava através das Parábolas, particpava assiduamente das missas (fui coroinha), ladainhas, coroações de Nossa Senhora, cuidando dos andores e cenários para as cerimônias e recitações do terço. Ficávamos contando nos dedos a chegada do dia da festa dos padroeiros, Nossa Senhora da Gloria e São Sebastião e não podiam faltar a banda de música, o circo mambembe, as quermesses e as folclóricas folias-de-reis... Lá na roça, batizei crianças, encomendei um corpo, dirigi cerimónias nupciais, presidi cultos dominicais, isto em pleno advento do Concílio Vaticano II, nos anos 60, porque em nossa paróquia Padre era só de 3 em 3 meses, depois de 2 em 2 e bem mais tarde uma vez ao mês. Por isso sempre digo que, se evoluí nas áreas artistico-literária e cultural, nada mais fiz do que aprimorar a fé que desde cedo derramaram em meu coração – principalmente a devoção Mariana.

Eis alguns poemas de minha lavra espalhados pelos livros publicados:

“Se as pantufas contassem, um pouco de sua história, encheriam mil canteiros, com flores de tuas glórias”.

E POR FALAR EM SAUDADE

Quantas vezes manuseio

nossa história feita em cartas

cala forte em meu peito

saudades grandes e fartas.

Se eu pudesse, quem dera!

voltar o relógio do tempo

cumpriria sempre á risca

poupando-me desapontamentos.

Cada vez que rememoro

o meu ontem de criança

bate forte saudade

cristalizada em lembranças.

ELIZA

Doce qual leve brisa

Calmaria que minimiza

Equilíbrio de uma baliza.

É

Coração puro e nada visa

Amor terno que evangeliza

Apostolado e se eterniza

E

Quanto mais vive mais

realiza

Em cada gesto se

cristaliza

Sopra a paz e a preconiza

É

Santidade que a canoniza

Nem a lua argêntea a

rivaliza

Cosmo em pedaços não Ihe é divisa

É

Um pouco de Maria porque

Cristianiza

Doação e desprendimento,

mais que pitonisa

Centelha Divina nossa mãe

Eliza

OBRIGADO, OBRIGADO

Caminhando pela estrada Senhor

sinto Você a cada instante

vejo a relva pelos campos,

quanta graça. Que encanto!...

Sinta a brisa leve e mansa.

MARIA, NOSSA SENHORA

Maria fonte de luz

gerou Jesus, luz do mundo.

Maria fonte de vida

porque nos deu Jesus

o pão da vida

Maria Mãe de Misericórdia

porque é arrimo, pálio

e auxílio dos cristãos.

Maria Mãe do consolo

e saúde dos enfermos

porque é presença viva

em todos os dias de nossa vida.

Maria rainha da paz

e Mãe da Divina Providência

porque é nossa intercessora junto ao Pai,

ao Filho e ao Espírito Santo.

Maria porta do céu

Porque somente da Senhora

que é também Mãe nossa,

nasceu a salvação do mundo.

SEDE DE JUSTIÇA

Vinde mãe dos oprimidos,

Sacia a fome de pão geral maciça,

De seus filhos conturbados,

E mate a sede de justiça.

No colégio, as professoras cuidaram de enveredar-me ao mundo da poesia. Sempre contei com a cumplicidade de papai e de mamãe na produção, nos adereços teatrais. Na peça "O Chapeuzinho Vermelho" eu interpretei o "lobo mau"...

Com pouco mais de 4 anos, a professora Geny Gac ensinou-me esta poesia que se de início parece pueril e sem importância, mas para mim, tanto ela quanto os demais aprendizados foram essenciais a minha formação e gosto pela arte poética. Ei-la: "Minha enxadinha trabalha bem, corta matinho no vai e vem... Minha enxadinha vai descasar, para amanhã, recomeçar... Adeus rocinha, adeus trabalho, a ti plantinha, meu doce orvalho...".

Nós, crianças, decorávamos e levávamos a sério, tais papéis. Sonhávamos com as 6a feiras quando após a sabatina, éramos presenteados com momentos de lazer artístico, transitando pelo universo do desenho, da música, poesia e teatro. Nos finais de semestre cada aluno queria fazer o melhor. Desfruto do privilégio de ter minhas professoras primárias vivas e presentes, à exceção de Dona Geny que já foi arrebatada aos céus.

Aprendi na infância este verso que nunca mais esqueci: "Ensinar é partir os espinhos, que maus ferem primaveras em flor, é acender em escuros caminhos, madrugadas de sonho e de amor".

Ah como sinto saudades da infância entre meus irmãos Marly, Cleusa, Sônia e os primos Neuza, Ruth, Neila, e os colegurnhas, Rose Heleni, Lucy, Jacy e tantos mais.

Fui uma criança, nem tão santa, nem tão arteira; já fui atropelado por um automóvel, já caí de outro (só que no capinzal), além de uma queda do cavalo que rendeu-me uma escoliose muito séria.

Na história de minha juventude o Pe. Ferdinando Osimani, o Pe. Geraldo João Lima, o Pe. Sebastião e os Franciscanos Freis Jorge e Estevão possuem lugar de honra. No tempo em que era coroinha, ajudava as missas em latim. Nas celebrações Eucarísticas, a missa iniciava-se assim:

"In Nomine patris, et filii, et spiritus sancti. Amen. Introibo ad altare Dei. Ad Deum qui laetificat juventutem meam"... "Dominus vobiscum, et cum spiritutuo"

Lembro-me como se fosse hoje.

É claro que logo a seguir no ginásio em minha bucólica e idílica Três Rios por ainda haver no curriculum escolar a cadeira de latim, notadamente declinações e estudo do vernáculo, fui aprimorando para melhor servir, e o tempo passou e nos idos dos anos 60 com o advento do Concílio Vaticano Segundo, foi permitido que as missas passassem a ser oficiadas em português.

Nem o contraste entre o meio rural e a distância da "cidade grande", me afastavam da busca de conhecimento e do convívio com a arte em sua^plena acepção. Dentre as várias pessoas que enriqueceram minha infância destaco, dentre elas, a doce amiga Anne Nabaldiam Pfeninger, Armeniana de Nascimento, mas que já vivia no Brasil há algumas décadas. Tinha paciência de falar-me de Lenim, Stalim, do Retrogrado, de Moscou e de ensinar-me a balbuciar as primeiras palavras em Inglês e tudo em mero à convivência com belos acordes ao piano e ao mobiliário de época adornado com porcelanas e cristais de raro valor. Tudo me fascinava e pasmem, minha amiga Anne era tão magnânima que também ensinou-me algumas palavras em russo, tanto que jamais esqueci-me de uma música que ainda menino aprendi a cantar. Era mais ou menos assim:

"Eta ptítica paiot suair dietka zaviot cuco, cuco, cuco... Tam da liza ricoio praniciosa paroio cuco, cuco, cuco..."

E não ficava só nisso. Eu queria saber dela, o que significava, e ela explicava, que o passarinho saiu em busca do alimento para os filhotes, e quando a mamãe pássaro chegava com o alimento para eles, os filhotes, cantavam de alegria... Quanto aprendizado...

Mas é claro que a criança já, mais tarde, deveria ler dentre outras, as obras de Monteiro Lobato, Cecília Meirelles, as histórias dos irmãos Greem, de La Fontaine, além dos Irmãos Karamazowiski, sendo que muitas histórias eram somente texto, sem figuras ou quadrinhos, como por exemplo o "Corcunda de Notre Oame", a maravilhosa história de José do Egito e etc. As revistas "nosso amiguinho", e mais tarde o Pato Donald, Zé Carioca, Pererê, Mickey, fizeram parte de minha infância. As histórias mesmo ilustradas como por exemplo a Gata Borralheira, Branca de Neve, diversas fábulas a exemplo de “a raposa e as uvas” e tantas mais, eram bem diferentes de hoje onde as personagens assustam a nós e encantam as crianças de hoje nascidas em escola. Era uma prévia a aguçar meu gosto pêlos épicos, dramáticos, românticos, enfim gostar de ir ao cinema.

Mais tarde já adolescente interessado por minhas raízes portuguesas, participei de um concurso literário e ali, já exteriorizava meu amor à Terra Mater ao compor o seguinte verso que só mais tarde passei a conhece-lo como trova:

Decretou-se a liberdade

Portugal, país irmão,

Bate forte em igualdade

Dois povos num coração.

E a vida seguiu seu rumo e fui aquiiatando o quanto o poeta é um ser privilegiado porque consegue extrair poesia da miséria humana, do sorriso, das lágrimas vestindo-as de lirismo e beleza.

Confesso que o tempo fez depurar meu gosto pêlos versos livres, não obstante estar consciente de que o ritmo e a cadência são vitais à harmonia do vernáculo e à essência do que o coração dita.

É evidente que para Picasso, Van Goghi, Gaugan, Portinari, Tarcila do Amaral e tantos mais, antes de atingirem a liberdade das paletas em seus traços modernos, com certeza passaram pelo clássico. O mesmo ocorre na poesia. Óbvio que a versificação, a rima e a métrica, são vitais àqueles que assumem o compromisso com a poesia puramente erudita. Estamos conscientes de que esses estágios não podem ser desprezados. E ocorre comportamento e cuidados idênticos aos inúmeros profissionais liberais, tais como na seara do Direito; onde, de início adquire-se um conhecimento geral, a seguir opta-se por uma área específica onde meíhor se identifique, e assim sucessivamente na medicina, na engenharia e etc...

Num mundo eivado de paradoxos tecnicista e convulsionado, mais que nunca a poesia deve dizer "presente"!

Para mim, a poesia é agradável companhia que anima e liberta, vivifica como o ar que respiro.

A poesia e a literatura se irmanam não importam se clássicas ou modernas.

Ao perpassamos pelos sonetos de Raul de Leoni, na poesia lírica e época de Camões, nos escritos de Anchieta e Vieira ou nas jóias literárias de Garret, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Drumond de Andrade, Mário de Andrade, Castro Alves, Olavo Bilac, Jorge de Lima, Casemiro de Abreu, João Cabral de Melo Neto, Dante Milano, Cecília Meirelles e tantos mais, nossa emoção é capaz de chegar aos Querubins e Serafins...

E não é por acaso que o querido poeta Alphonsus de Guimarães, ao compor o poema "o sino" comparou o poeta a um Anjo: "Mas com que dor meus tristes dobres tanjo, quando morre um poeta ou morre um anjo que anjo, são a final todos os dois..."

Atualmente parece mais importante o "ter" massificado pela mídia, no entanto, jamais sufocarão o "ser" que existe dentro dos humanistas, escritores e poetas.

Mas voltando ao fio condutor e prosseguindo minha história, digo-lhes que devo também a devoção ao culto do belo notadamente aos magos dos pincéis, aos artistas plásticos que mercê de Deus escolhiam os arredores de minha casa para executar belas telas a óleo; um deles chamava-se Samuel Salvado, era do Rio de Janeiro, e eu aos pouquinhos ia aproximando-me, ora oferecendo água gelada, ora doces e assim, ia conquistando o direito de poder assisti-lo executar tantas maravilhas, certamente espalhadas pelo mundo. E por falar em pintura, uma de minhas primeiras e mais gratas amizades das quais fui privilegiado nesta terra foi o internacional pintor Win Van Dijick, ainda na década de 70.

Voltando à infância, digo-lhes que desde criança meus familiares e amigos traziarn-me à Petrópolis. Aqui assistíamos às missas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus ou na Catedral, passeando por entre as avenidas nas famosas "vitórias" que nós chamávamos de "carruagens", e sempre reservávamos um tempo para os gostosos lanches da Casa D'Angelo. O convívio com a Igreja em meto ao gótico, ao colonial e ao barroco com certeza ampliou meus horizontes no universo poético e artístico, revigorando a fé e o amor à liturgia e devoção à Maria. Se era à ocasião do Natal, eu sempre desejava inovar, ora os cenários dos presépios dentro dos recursos disponíveis à época ora desenvolvendo intuitivamente a imaginação tudo por obra e misericórdia dos céus. E assim foi...

Mas falemos de poesia, a seguir apresento-lhes:

OREMUS

Os monges rezam, contemplam, tecem:

pelo mundo, por nós todos

que esquecemos de agradecer.

Os poetas sonham, choram

Lamentam e por vezes cantam

exaltam, glorificam

lastimam e amam:

por nós todos sem tempo de viver.

O mundo gira e agira

agiganta e conturba:

já não dá mais pra parar.

O povo se assusta:

a fome grita e corpos quedam-se inertes

em meio aos fuzis

seqüestros,

escombros e barreiras

mesmo não sendo ainda hora

de morrer.

Por isso entendo

respeito e rendo-me

á importância da clausura

e compreendo que os Monges rezam

contemplam e tecem.

E os poetas sonham, criam, buscam

lamentam, reclamam e até choram

para tornarem menor a solidão

BAILADO DOS VERSOS

Vai meu verso, flana tuas asas

descompassadas, descomprometidas

disputa um lugar no azul

e olha de mansinho, meu mundo brincalhão

e barulhento, gostoso e dengoso

mas só de confusão.

Vai meu verso, disperso e travesso

e me vira ao avesso nesse turbilhão.

Respira fundo o ar mais puro

e o que há de profundo

por sobre ondas do mar.

Testemunha pra mim com certeza

descortina, escancara em amor

um todo em beleza

quem nem sempre se vê.

ORVALHO E A ROSA

Busquei o amor em mil coisas

no ouro, prata e na trova

mal sabia que ele estava

na gota orvalhada da rosa.

AMOR NATUREZA

Grande amor que agride e agrada.

No temperamental jeito de ser

de nada se difere à natureza,

que dá sol e tempestade

Noite e amanhecer.

Mas tudo isto queridos Confrades, é para dizer-lhes que a vida, a formação moral, profissional e religiosa, seguiram-se como complemento, através do aprofundamento, pois o pilar já fora plantado desde tenra idade, no beío, na vastidão da natureza em meio aos ípês, mulungus, bromélias, entremeados por entre o céu azul e principalmente repleto de amor e perseverança.

O tempo deu uma guinada. Na década de 60 ingressei no ginásio, a seguir, formei-me contador, depois fiz o clássico. Em Três Rios sempre estive às voltas com o teatro e já dava meus primeiros passos escrevendo muitos textos para jornais trirrienses, atuando junto aos grupos de jovens, enfim, dava continuidade aos ensinamentos recebidos na infância.

E, finalmente chegou o ano de 1969. Prestei vestibular e em 1970 vim definitivamente para Petrópolis. Aqui, em início de 1970 comecei a escrever para o Jornal de Cascatinha a convite do jornalista Lester Carneiro onde encontro-me até hoje. Em Petrópolis, dei continuidade à área das artes plásticas participando de Salões tais como o "Batista da Costa", "Salão Manet", "Salão da Primavera" inclusive realizando exposições individuais e coletivas que proporcionaram-me diversas entrevistas nas TVs Tupy, Bandeirantes e TV Globinho o que propiciou-me grandes amizades, dentre elas pela apresentadora Edna Savaget que aliás prefaciou meu primeiro livro de poesias Silepses em 1977. Participei de concursos literários na Universidade Católica de Petrópolis (nos anos de 1970 e 1971) e também no Festival Universitário da Canção, concursos nacionais e estaduais chanceladas pela OAB e entre 70/80, nos Festivais de Poesias do Sesc, tanto que logo fui convidado por Dona Alice Carvalho Vieira de quem torneime grande amigo e o sou até hoje, para ajudá-la a coordenar e realizar ditos festivais, certames esses que foram realizados com grande êxito durante décadas. Nesse ínterim, isto é, a partir de 1981, já era amigo dos Professores Paulo César dos Santos, Joaquim Eloy Duarte dos Santos e de André Heidmann e junto com estes vates de nossas letras e artes na tarde de 15/08/83, na sala do Clube dos Advogados de Petrópolís, de cuja Entidade eu era Diretor, trouxemos à luz esta querida Arcádia, nascida Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, hoje Academia Brasileira de Poesia, Casa de Raul de Leoni, sob as bênçãos de Nossa Senhora da Glória, que este ano está a completar 25 anos de profícua existência. Parece que foi ontem.

Mas nunca deixei minha profissão, primeiramente de contador (sou da turma de 66), a partir de 1970 - ingressei nas searas do Direito, já que eram minha sobrevivência e hoje com dedicação exclusiva à Advocacia. Lá se vão quarenta anos só de Petrópolís.

Intensifiquei a atuação escrevendo para os jornais, principalmente desta doce Cidade, quer para a Tribuna de Petrópolís, Jornal da OAB, Diário de Petrópolis, Revista Social, Revista Hortênsias, Revista da Barra da Tijuca, e é claro, para o Jornal de Cascatinha, dentre outros. Em 1984, um grupo de confrades mais uma vez usando de benevolência, indicou-me a uma vaga à Academia Petropolitana de Letras, em virtude do falecimento do grande poeta Sylvio Júlio de Albuquerque Lima, à ocasião concorri com o querido Mestre Wolney Aguiar e pela generosidade do Quadro Académico, entendeu eleger-me para ocupar a cadeira n°22, patronímica do querido poeta Raul de Leoni. Depois fui conduzido a outras Arcádias tais como as Academias de Letras do Estado do Rio Janeiro, Brasileira de Jornalismo, Instituto Histórico de Petrópolis, UBT e ABI dentre outras. Em 08/12/1995 realizei, junto de alguns amigos um velho sonho, criar uma Academia voltada exclusivamente às Letras Jurídicas. Trata-se da Academia Petropolitana de Letras Jurídicas que goza de conceito além fronteiras, às vésperas de completar 13 anos de ininterruptas atividades culturais, de cuja Instituição fui o primeiro Presidente e atualmente Diretor das Relações Públicas.

A partir da publicação de meu 1° livro de poesias "Sitepses" em 1977, segui-se o livro "Silepses II" e ainda o livro "Hosanas", o livro "Gotas de Cristal", o livro “Caminhando Juntos” este compartilhando com mais três confrades – Celio Barbosa, Paulo Cesar, J. Eloy e Luiz Gutierrez, seguindo-se inumeras participações em antologias do conhecimento do mundo acadêmico incluindo jornais e revistas nacionais e internacionais. Existem outros trabalhos partilhando-os convosco, a exemplo de crônicas do cotidiano, poemas e louvações Mariano-teológicas e de cunho social a exemplo das publicações anteriores. Eis mais alguns poemas de minha lavra já publicados em livros e antologias:

PERDAS E DANOS

Por que no balanço da vida

Não se contam os juros

Das juras de amor

Por que, nesta luta diária

Sem ajuda de custo

Correção monetária

Só saudade ficou

Em meu coração há um estouro

- sem saldo

-não há dividendos

porque tudo levou...

Joguei os meus desenganos

nas perdas e danos

do nosso amor.

LAMENTO

Chega

de tanta agonia

é só ironia

em promessas

e pouca ação...

Psiu!

Escute o lamento

de gente cansada

de luta inglória

em busca de pão...

Atenda

Este choro escondido

antes que seja tarde

e se mate de angústia

- Já não dá mais “pra” viver...

Acredite!

Sede de justiça e boca amarga

já impedem caminhar a longa trilha

muito é pesada a carga

buscando a estrela que não brilha.

JUSTIÇA

Defendei o rico ou pobre

seguindo a mesma premissa

sempre aos olhos da verdade

amor à lei, à justiça!

NÃO

Não,

não ateies fogo em nossa morada,

já se ensopa o nosso rosto de um choro

que vem sendo arquivado no peito

mesmo assim

não atires pedras em nossa avenida,

pois nunca te foi negado um sorriso.

Não!

Poupa ao corpo, o direito de tremer,

e depois cair inerte,

(para a carne),

mas vivo aos propósitos.

Não rouba agora estes últimos instantes,

permite ao menos um último clarão do luar,

dize ao menos que o amor existe

que a paz é transcendente e reluz

ainda que despedacem vivo o coração da gente.

PINGOS DE LAMENTO

Em cada grito uma súplica,

nos dedos pingados um lamento,

dos olhares lânguidos brotam lágrimas,

nas bocas ressecadas, gemidos;

em cada coração, lanças ferindo;

de joelhos prostrados e de mãos postas

uma oração de esperança

para não deixar morrer o amor,

o sol e chuva que alimentam, aquecem.

Bendita seja a paz para o povo aflito

que sorve o fel e açoites

noite e dia,

já meio zonzo e sem noção da era,

tudo ficou difícil nesta terra...

Paralelamente, tenho participado de várias Diretorias da OAB, atuando em diversas comissões e cargos do conhecimento geral, atualmente compondo o Conselho da Egrégia Instituição, além de Presidente do cerimonial, dentre outros.

Desde década de 80 junto aos Confrades Pauío César e díretoría iniciamos as visitas aos diversos Estabelecimentos de Ensino discorrendo sobre matéria literária tanto no Município, quanto fora desta Cidade.

Na década de 90 ingressei no curso de Teologia onde o conclui perante o Instituto Teológico Franciscano, estando a realizar cursos de aprofundamento até à presente data, incluindo meu ingresso na Congregação Mariana da Anunciação e São José o que muito me alegra.

Dentre os lauréis que houveram por bem distinguir este humilde operário das letras e do direito destaco a Medalha Tiradentes outorgada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em 21/04/98, seguindo-se a Comenda do Mérito Jurídico outorgada pela Ordem dos Advogados do Brasil em 05/05/97, não esquecendo ainda da placa e Medalha de Honra recebidas das mãos do Exmo. Sr. Ministro da Justiça Alexandre de Paula Dupeyrat Martins em 10/09/94 "onde aquele Ministério reconhecia os relevantes serviços por trabalhos à Justiça" em cerimónia ocorrida nos Salões do Museu Imperial de Petrópolis que contou ainda em as presenças dos Ministros Mauro Durante (Ministro Chefe da Presidência da República) que compareceu com o múnus de Presidente da República representando o Exmo. Sr. Presidente ítamar Franco e também fez-se presente o Ministro da Cultura Nascimento e Silva, dentre inúmeros jornalistas locais e de vários Estados Brasileiros, o que foi noticiado pelo Jornal da Globo e imprensa brasileira em geral, ocasião de minha passagem pela presidência da octogenária Arcádia Cultural.

Outro momento de alegria foi o de receber na Academia Petropolitana de Poesia, Casa de Raul de Leoni, o insigne intelectual Austregésilo de Ahayde, Presidente da Academia Brasileira de Letras e outros vates da literatura (1992), quando de minha passagem pela presidência desta Arcádia Cultural e ainda a satisfação de ter recebido o jornalista Roberto Marinho e sua esposa Dona Lilly de Carvalho das organizações Globo, bem assim Josué Montello e Sra. Ivone Montello ele, Presidente da Academia Brasileira de Letras (1994) em bela cerimónia ocasião em que tive a honra de presidir a Academia Petropolitana de Letras, fato amplamente noticiado no Jornal do Brasil, O Globo, Revista Manchete, televisão, rádios e etc.

Dessa visita, nasceu a consideração e dela adveio a amizade, tanto que o escritor Austregésilo de Athayde à ocasião gentilmente prefaciou meu livro "O orvalho e a rosa" o que me fez muito feliz ante a sua generosidade.

Com surpresa e emoção recebi em 15/03/08 a Medalha Kõeler, maior honraria concedida a seus Munícipes por esta amada Cidade. Agradeço aos céus e a todos que referendaram meu nome. Prometo retribuir com minha fidelidade e meu amor à Petrópolis e a seu povo, por toda minha vida, mesmo exauridas todas as forças.

Confesso-lhes que um dos momentos mais gratificantes de minha vida foi o de ter sido convidado para representar nossa terra em Sintra, Portugal, no ano de 1999. Ali, não era Fernando Costa que falava por si, mas perante as nações presentes, era o Brasil, o maior país lusófolo que falava às centenas de estudiosos da língua portuguesa o que foi largamente noticiado em inúmeros jornais internacionais e nacionais de grande circulação (leia-se Diário de Notíciade Lisboa, Público, A Capital, JB, O Globo, O Dia e Jornais locais) e objeto de livros em várias edições.

A plateia do importante colóquio contava com a presença do Escritor José Saramago, Ministros (dentre eles o Ministro da Cultura Francisco Weffort) e Presidentes da República de Portugal Jorge Sampaio e Presidentes das Repúblicas dos demais países lusófonos. Abrilhantaram ao memorável encontro, Consulados e Embaixadas, inclusive a Brasileira e a nata da literatura e intelectualidade dos Países que permeiam o mundo da lusofonia dando ênfase à presença do Dr. Leandro Sampaio Fernandes e Sra. Tânia, ele à ocasião Prefeito de Petrópolis, meu sócio e Confrade Célio Barbosa e os Embaixadores Culturais Maria Guilhermina e Carlos Alberto Valentim. Não oculto a esta assembleia que meu coração enterneceu-se ante ao imenso presente que Deus quis ofertar-me levando minha voz aos Palácios Valenças, Seteais, Palácio Nacional de Sintra, Quinta da Regaleira, naquela memorável festa da língua Portuguesa. À ocasião fui recebido por Ministros de Estado e Autoridades internacionais e fiz o melhor que podia para representar nossa gente e nossa cultura nas terras de além mar. Ainda hoje recebo inúmeras mensagens das Instituições culturais de lá e daqui do Brasil o que redobram minhas forças e responsabilidade a continuar nesse apostolado.

Tenho viajado pelo mundo, no cumprimento dessa missão, e sempre levando pilhas de livros, notadamente as antologias desta Academia, divulgando e ampliando nossos laços fraternos e culturais, sendo que ao Japão por cinco vezes, à Europa outras tantas, assim como às Américas do Norte e do Sul e etc. Já havia participado em Roma (Universidade de Roma) e em Paris (na Sorbone) de simpósios jurídicos; em Portugal por seis vezes participei de cursos de extensão cultural nas Universidades de Coimbra, Lusíadas e Luiz de Camões, mas essa ida à Sintra em 1999 teve um sabor especial, foi um presente que a literatura me deu.

Queridos Confrades, o tempo urge, preciso fechar os faustos de minha história, penitenciando-me desde já pela paciência em ouvir-me.

Claro que têm sido anos de constantes lutas, sonhos, tensões e expectativas, mas dentre os meus amores, Petrópolis desponta com larga margem de pontos, seu povo sempre soube incentivar-me, reconhecer meu trabalho, que pelo respeito e amizade, incluindo-me nos anais de sua história e sobretudo por ter conquistado o carinho, o respeito, a amizade e a gratidão deste povo querido e hospitaleiro.

Para encerrar, apresento-lhes também estes poemas de minha lavra:

MEU VERBO

Vem meu verbo, não desgarres de mim.

Em minhas conjugações és sempre presente.

Vem meu verde, condão da esperança,

só em ti me transformo em criança

pra cantar e valsar no quintal.

Vem meu verbo, encher de alegria,

nossa casa vazia

onde tu reinarás.

Vem meu amor, renovar a certeza

transformar em beleza

nossa vida de paz.

PETRÓPOLIS, ETERNA MUSA...

Os rios de minha terra

transbordam a cada dezembro

transformando a avenida

em verdadeiro oceano.

As carruagens de outrora

parecem estar esquecidas,

nossas hortênsias azuis

rosadas

brancas

lilases

vão desaparecendo

em meio aos matagais.

Altaneira e soberana

por hora tão castigada

ainda assim és beleza

de clima ameno e amada.

REGRESSO

Eu quero a paz

de minha terra

nesta guerra de viver.

Quero o fluir de águas mansa

de goiabeiras e mangueiras

vastos campos pra correr...

Quero olhar o meu coreto

dissecar as minhas ruas

encontrar a minha gente

relembrar o nosso amor...

Eu quero a paz

de minha terra

mãe de berço

e céu azul

quero abraçar minha estrela

eu a tenho

é a mais bela.

Quero a paz

de minha terra

nesta guerra de viver...

EPITÁFIO

Quando eu não mais escrever, servir, crer...

Quando eu não mais riscar e colorir...

Quando eu deixar que a tristeza

se estampe em meus olhos

definitivamente

e não mais ansiar em ser, amar,

- não duvides

eu terei morrido.

Deus é amor

Fernando Costa

“Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”. Está inscrito nas Sagradas Escrituras, no Livro de São João, capítulo quatro, versículo quatro a dezesseis. O amor para nós Cristãos é o fogo incandescente na pessoa do Deus Uno e Trino, nas pessoas do Pai Criador, do Filho Redentor e do Espírito Santificador. O amor é a natureza Divina. É Deus, o Senhor do Universo e do homem, sua imagem e semelhança. O amor de Deus é generoso e gratuito, incondicional. O amor de Deus é sem reserva. O amor de Deus não aceita restrições. Não caminhar no amor é vagar na obscuridade e percorrer nas trevas. Somos chamados às diversas vocações, ao missionário leigo, ao sacerdócio, às ordens religiosas, ao sacramento do matrimônio, ao celibato, às diversas profissões e missões onde é perfeitamente possível que testemunhemos esse amor ilimitado independente de sexo, cor, classe social ou nível cultural. Jesus se resume em amor. Ele nos redimiu através da morte e morte de cruz por amor. Em todos os momentos está a nos dizer, “amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” O amor liberta. É o principal caminho à vida eterna. O amor não pode ser interpretado com o sentimento fugaz e transitório. Por isso mesmo que é simbolizado pelo maior músculo do corpo humano: o coração. É melhor amar que odiar. A vindicta não leva a nada, só causa estresse, doenças e mal – humor. Parece palavra gasta, mas, o amor constrói ao passo que o ódio destrói. Quem nunca experimentou o amor, seja por uma pessoa no sentido da comunhão de almas ou o fraterno convívio daqueles que nos rodeiam seja nas proximidades físicas ou na distância estabelecida entre os espíritos? Sabemos que para o amor não existe espaço geográfico ou barreiras. Já o amor renúncia, o amor entrega, o amor doação em prol do amor maior, que é o amor de Deus esse também é de rara beleza e transcendência. O amor conjugal que constrói a família e perpetua as gerações no crescei e multiplicai-vos é o coração em plena ebulição. O amor não possui fronteiras e nem limitações, ele precisa ser sincero e real. O amor aprofunda a relação e ela exige entrega e, se assim for, nenhuma tragédia a faz se romper. Ele é um dom divino e se vem do alto por desígnio do Criador o vivamos com pureza e sinceridade, no convívio familiar, social, profissional, comunitário e nos demais segmentos da trajetória humana porque só dessa forma alcançaremos o objetivo que é a Pátria Celeste.

*Jornalista

A Medicina e as Orações se irmanam

*Fernando Costa

A título de proêmio deixo claro que a reflexão sobre o tema não tem qualquer conotação científica, técnica ou filosófica. Constituem-se tão somente em divagações tendo como fio condutor o humano e o Divino. Qual é o ponto de vista do querido leitor com relação à oração e a doença? Há vínculo entre ambas? O que afinal têm em comum? Rezar ajuda a minorar o sofrimento, resolve problemas de saúde? Posso assegurar que as súplicas religiosas servem de pálio, arrimo e sustentáculo a minha vida. Elas restauram minhas forças, restabelecem meu ânimo, renovam minha esperança. Nem por isso deixo de lado as visitas rotineiras aos médicos, criaturas dotadas das virtudes e conhecimento para curar e prevenir enfermidades. Por ocasião das moléstias físicas e espirituais as orações nos possibilitam maior equilíbrio, serenidade para convivermos com a realidade e paz até na hora derradeira, porque o dom da vida é Divino, portanto lutar pela vida é um dever. É público-notório que a religião e a medicina acompanham a humanidade desde as primícias dos tempos. Questiona-se sobre a interferência favorável e desfavorável da religiosidade no curso do tratamento. O Brasil, pela miscigenação onde predominam as influências da cultura africana, indígena e portuguesa deu origem a um povo que traz desde sua origem forte influência religiosa. A guisa de tênue idéia, no Brasil há cerca duas centenas de grupos religiosos, segundo dados do IBGE. Além desses grupos há que considerarem-se pessoas que não seguem nenhuma denominação religiosa, nem por isso deixam de ter fé e confiança em suas súplicas. Certo é que as dores, conflitos e incertezas são enfrentados com mais força se embasados nas orações. Lembro-me com saudades das aulas de Bioética, ministradas pelo Mestre Dr. Frei Moser e também das memoráveis preleções apresentadas pelo Mestre e Psicólogo Dr. Frei Fernando Araújo Lima, Guardião no Instituto Teológico Franciscano, enfocando importantes temas, por exemplo,“A Psicossomática no Hospital,” “Conjugalidade,” “Psicologia Pastoral” e etc., na década de noventa, ocasião em que este articulista junto do querido médico Dr. Jorge Ferreira Machado cursamos Teologia. Ele me dizia que" no ponto de vista da ética médica a preservação da vida e da saúde é condição precípua no exercício profissional da medicina, que com toda autonomia propõe medidas terapêuticas a seus pacientes." No entanto as crenças culturais e religiosas muita das vezes conflitam-se na aceitação do tratamento. Quando há risco de morte os procedimentos tradicionais são ministrados sob proteção legal. Queira ou não o paciente. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948 e a Carta Magna do País, de 1988 pontificam a liberdade do culto religioso. Mas que a fé e as orações são fundamentais, disso não tenho dúvida. As orações são bem-vindas para o restabelecimento. Se o paciente está preparado espiritualmente, se suas preces intercessoras são feitas antes das intervenções cirúrgicas, normalmente o resultado é positivo, fortalecendo o elo entre a medicina e a religião. Está comprovado de que as chances de cura das pessoas que têm fé são maiores do que àqueles que vão para a mesa de cirurgia desanimados e sem esperança. Há de se ressaltar que até para aquele que está em seu momento de transição e ainda para os que sofrem a dor da perda, se alicerçados na fé, conseguirão ultrapassar o vale das sombras e os que ficam, aprendem a conviver com essa realidade com maior resignação porque lhes resta a certeza da vida eterna.

*Jornalista

O Pão Nosso de Cada Dia

Pai nosso que está no céu, na terra, nos ares, nos campos e nas águas. Olhe para os desempregados, que descontrolados saqueiam, porque têm fome, porque já não têm mais controle nem teto, nem uma centelha de amor. Eu sei que são provas do carma da terra mas tremem de frio seus corpos em trapos, as mãos estendidas pedindo socorro. Pai, nos ajude a plantar, a colher para pagar, para comer. Ajude seus filhos a enfrentarem as filas da previdência, multiplique o salário para suportar o preço dos mercados que sobe toda hora e que em cada teto seja poupada a doença, posto que não há dinheiro para o remédio. Pai, ajude os pivetes de rua, para que não matem, embora eu saiba que são fadados à marginalidade porque não conhecem lar, carinho e pão. Aqueça seus corpos franzinos nos becos e sarjetas, expostos ao tempo, dormindo ao relento... Olhe pelas mães solteiras, que se entregaram sem pensar, nas cabeças ocas que não querem estudar e nos pobres que apenas soletram o be-a-bá. Pai, ao apito das fábricas, aqueça por caridade a marmita dormida, o café requentado do pobre operário. Proteja as flores do campo, pardais, andorinhas, canários, gaivotas, borboletas, colibris que beijam as flores e dão alento à vida. Olhe pelas mães que criam, que cuidam, educam seus filhos e pelo marido na chefia do lar. Ajude-nos a fazer justiça, aos julgadores a aplicá-la com retidão, ao pescador que enfrenta marés, ao pedreiro que constrói nossas casas, ao estivador para ter forças de carregar seu fardo... Oh! Pai, seja feita a sua vontade, seja- nos legado suportar a crise social tão dura; quando faltar o pão, nos dê força para plantarmos com fé, chuva e sol. Abençoe as mesas fartas, de linho engomado, mas que sejam honestas a suas refeições. Perdoe a nossa revolta, nossas reivindicações, nos dê forças para lutarmos por dias melhores, onde a consciência e responsabilidade estejam em primeiro lugar independente dos interesses pessoais. Pai afaste-nos das tentações do cotidiano. Sob suas bênçãos Pai, as bandeiras hão de ser brancas, no planger dos sinos, nascerá uma nova aurora e haverá um dia em que de todos os lábios brotarão sorrisos e hosanas.

Coração dói, ah dói!

Lembro-me quando eu, meus irmãos e primos éramos crianças lá nas cercanias de Hermogêneo Silva, Distrito de Três Rios, onde nasci, existia um velhinho de nome Chico Cristino. Ele era de baixa estatura, de barbas brancas e pele de ébano. Fumava cachimbo e andava descalço e dizia-nos que com seu calcanhar poderia matar uma cobra ante à enorme calosidade. Fazia pequenos serviços para nós da redondeza. Era bom e paciente conosco. Não se sabe como surgiu o hábito, nem quem o criou, mas fato é que quando o acenávamos, dizendo-o: “coração dói”, ele respondia: “ah, dói...” E nós, sapecas e em algazarra sempre que o víamos passar, íamos logo atrás dele proferindo repetidas vezes: “Seu Chico Cristino, “coração dói...” e ele logo respondia “ah dói...” Pacientemente repetia ao nosso refrão “coração dói”, o seu lamento “ah dói...” E isso, por dezenas de vezes, sem qualquer irritação ou mal-humor. Gostávamos dele e do som que estas palavras ditas e respondidas repetidas vezes soavam a nós. Hoje as percebo, como um mantra... Decorridos mais de 50 anos me vem à memória a saudosa Hermogêneo Silva, das missas, ladainhas, da recitação do terço e das coroações-de-Nossa Senhora. Rememoro o cair da tarde em céus róseos-opala e as histórias que mamãe contava, sentados na imensa pedra estofada que adornava o grande portão de minha casa, seguido ao pontilhão feito em madeira braúna forte e dura como rocha. Mais adiante, existia a linha do trem e a rodovia. Essa proximidade levou-me a ser atropelado aos quatro anos quando papai estacionou seu automóvel do lado direito da rua, e pediu à Marina, minha irmã, bem maior que eu, para buscar seus pertences que ali deixara. Ela não percebeu que eu a segui e o resultado foi o de ter sido jogado por muitos metros à frente do atropelador, que somente parou porque foi interceptado por meu tio Acácio que o fez levar-me direto para o hospital, fato que causou grande consternação e reboliço no local e junto à família, nem se fala. Minha casa era antiga e bonita, fiel ao estilo colonial, repleta de vidraças enormes e em seu interior existiam cercaduras azuis todas contornadas por andorinhas. Talvez, seja por isso que vez por outra deixo a marca dos pássaros nos desenhos que ouso esboçar. À frente do casarão era toda adornada de mangueiras, coqueiros, ipês, mulungus, framboyants que por sua vez, dividiam o cenário com belas bromélias suspensas em suas frondosas hastes. Vários artistas plásticos, dentre eles o consagrado Samuel Salvado retrataram-na em vários ângulos. Eu gostava de plantar flores e regá-las, mais ainda, de ouvir pelo rádio “a escolinha do caçula”, se a Marly deixasse. Ao lado, residiam meus tios Helena e José Martins com seus filhos Cinéia e Luiz, dentre outros, isto é, meus primos, a seguir residiam meus tios Sebastiana e Pedro com seus filhos, os primos Neuza, Ruth, Neila, dentre outros. Tia Sebastiana foi minha professora primária, amo-a desde ontem, até hoje e sempre. Fui aluno também das Donas Geny e Alice Gac, Sylvia Pinheiro de Siqueira e Philadelphia Baptista Reis, nomes que jamais se apagarão de minha memória. Mesmo antes de ser matriculado na primeira série, hoje alfabetização, já havia aprendido as primeiras letras em casa e cuja continuidade deu-se num dos salões, da casa da Tia Sebastiana, que foi cedido para ser nossa escola. Sinto saudades da natureza bela e da vastidão dos campos, dos pomares repletos de frutos da época e do convívio nas fazenda, onde não nos faltou o carinho de Dona Léa Duvivier e de seu esposo Dr. Eduardo, por ocasião das festas da filha Aminta. Relembro os banhos-de-poço, de rio, as águas de mina bebidas em folhas de inhame, as canoinhas morro abaixo, os mangais, o goiabal, os piques, os esconde-esconde, o cheiro de café colhido e moído em casa, os capins-melado, a terra batida,os enormes silos, os passeios a cavalo, de charrete, de jeep e à pé, as incursões pela mata, os feixes-de-lenha, da vida na vasta natureza e o caminhar descomprometido até Monte Alegre, para rever meus amigos Eudóxia e Teixeira, seus filhos Rose Heleni, Terezinha e irmãos, e ainda Dona Ginica nossa mãe-de-leite, Dona Carmen, Marina e Mariazinha, Ilma e Jacy, Sr. Ary, e por que não de Dona Luzia Sr. Nito, Nilda, Dona Eny e Cizinho, Dona Geralda e Seu Antônio Neves, Luci, Vera, Fátima e outros irmãos? E nestas lembranças um pedaço de meu coração deixou gravado Dona Anna Nabaldian Phenninger, o Pe. Geraldo Lima, o Pe. Ferdinando Osimani, o Pe. Sebastião das missões, o Frei Estevão, o grupo de jovens e outros mais, a Dona Hilda, Carlinhos, Valcyr e a Família Moraes. Nesses ais revivo a Tia Titita, Tio Aparecido e filhos com os quais aprendi muita história e bela convivência, o armazém dos Srs. Mário e Dona Aurora, Covanca, Chapada, Rancho dos Carros, Santo Amaro, Piabanha, Boca do Fogo e Mato Alegre, o Célio Barbosa das lições vestibulares e de eterna dedicação. Hajam lembranças, Nossa Senhora!

Este prólogo ganha relevo especial para dizer que, a principal personagem, minha Doce Mãe Eliza, ao longo de seus 83 anos e onze meses de vida, 58 anos e 4 meses deles, sem contar os nove meses que habitei o sacrário de seu ventre, tive a primazia de privar de seu convívio e de seu amor. Mamãe foi e é heroína, santa e amiga. Silenciosa qual Maria, Mamãe foi conselheira todos os dias, severa quando necessário e um anjo sempre, para ela, não havia hierarquia ou predileção pela dúzia de filhos, dezenas de netos, bisnetos e pelo trineto. Falando de mamãe, estão interligados em primeira e segunda núpcias os papais Mário e Waldemiro que junto a ela nos trouxeram à luz. Hoje, 17 de janeiro de 2008, Mamãe estaria completando 85 anos de nascimento, mas há um ano e um mês renasceu para o Senhor, sob o pálio da Mãe Maria. E uma lágrima cai, e outras e outras... É impossível controlar a saudade, esquecer... Omitir o ontem e o hoje seria negar o amanhã e tudo aquilo e todos aqueles que fazem parte de minha história, pois são imortais. Seriam simplesmente anulados? Como? Se dentre eles fulgura radiante em luz, minha mãe Eliza? Por isso os meus amigos e minha doce mãe serão sempre amados, louvados e hão de ser honrados geração em geração.

Mais que nunca, ao abrir os faustos de minha pálida história, compreendo e rendo homenagem ao velhinho Chico Cristino que passava pela criançada, com docilidade, clemência e suavidade, respondia-nos, ainda que fôssemos atrás dele por longa distância e repetidas vezes e o perguntássemos “Seu Chico Cristino, “coração dói”, ele respondia: “ah, dói meus filhos, ah dói”...

E como dói Seu Chico Cristino, o coração dói de saudades dos afagos da mamãe, das lições de vida de mamãe, dos exemplos de mamãe, do sofrimento de mamãe, da renúncia de mamãe, da beleza e pureza da mamãe, das chineladas da mamãe, do abraço apertado, olhar terno de mamãe e do acolhimento dos amigos citados e daqueles muitos que não falei, mas descansam em meu peito calejado.

Por isso, escancaro meu coração, convidando-lhes a revisitá-lo, mas por favor, pisem devagar, cuidado com as feridas que por certo irão encontrar. Há pontos que estão corroídos e doem muito. Rendam também comigo homenagens à minha irmã Cleusa, ao Walter, Julinho, Professores Delphino Monteiro, Celso Martins e Maria Eugênea, Dona Martha, Seu Gaúcho, Dona Alfredina, Dona Ermengarda, Dona Jota, João Américo, Sebastião Celeiro, Dona Isméria, Dona Dorvalina, Angelina, Zozoca, Sr. Naminho, Sr. Antônio Augusto, Padrinho Augusto e sua esposa Santa, Mário e Rita Viana, João Higino e Dona Antônia, Sr. Alexandre, as folclóricas Deolinda e Magnólia, Sá Chica, Tio Acácio, avós Camila e Almerinda, Antônio Júlio, Calixto e Santa, Euphrizia e Torrão, Georgino Salustiano, José Cerqueira, Dorothéia e Margarida Ribas que tanto amo. Partilho no mesmo diapasão este preito de gratidão com meus irmãos, desde a Eremita até a Martha, com meus sobrinhos e parentes. Todos têm um lugar de honra “no lado esquerdo do meu peito”. Por isso, divido com os meus, com os seus e os vossos meu coração, mas que dói, dói.

Com toda razão sempre esteve o filósofo popular Seu Chico Cristino quando sabiamente nos ensinou um dia que o “coração dói, ah dói...”.

O lírio e a violeta

*Fernando Costa

Diz o lírio: por que se preocupa violeta? Na verdade, enfeito riachos, vivo livre e descomprometido pelos campos, exalo suave perfume e sou feliz porque adorno o Reino de Deus. Que culpa tenho eu, se na Parábola Bíblica fui comparado às vestes de Salomão e mais original que elas, ainda que reconhecidamente ricas em bordados e brocados. Vez por outra, alguém me descobre e lá vou eu enfeitar palácios, casas, catedrais e grandes banquetes. O esteta das flores Amaury Jaime de Lima não raramente prestigia-me em suas requintadas decorações. Hora estou em altares majestosos da Notre Dame de Paris, por vezes em La Madeleine, na Catedral São Pedro de Alcântara, nos lagos do Imperial Palácio de Tóquio ou circundando os arredores do Mena House, no Cairo com vistas para as Pirâmides. Quem esteve no Egito sabe que estou a falar do sinônimo de beleza e opulência. Violeta, se um dia puder, vá me ver às margens do Nilo ou então lastreando o Reno... Não se preocupe, há espaço para todos. Olhe a sua volta, observe os mulungus, ipês, magnólias, quaresmeiras, as rosas, as orquídeas, gérberas, antúrios, as flores-do-campo, os frutos, os pássaros, os ursos, as carpas, os gatos, as cobras... Ah, as cobras às vezes venenosas, mas fazem parte do equilíbrio ecológico. É verdade que muitas delas são mortíferas, mas se assim não fossem, como as distinguiríamos de dóceis animais a exemplo dos belos e bem cuidados poodles? Violeta, você parou para agradecer ao esplendor do pôr-do-sol e o prateado da lua? Por que ao invés do rancor guardado no peito fruto do despeito, passe a reservar em seu coração o amor? Tire partido das coisas boas, despenque-se em ramos e jogue-se nas lapelas das madames, transforme-se em Cinderela, em “Demoseilles d’Honneur” ou simplesmente enfeite pratos, mas invente outro recurso ou caminho que não seja a aridez vil e mesquinha. Não fomente amargores e não seja invejosa buscando em mim defeitos que se os tenho são meus, não seus. Se lhe sobrar um tempinho entre uma fofoca e outra, abra as Sagradas Escrituras e leia em I Cor. Capítulo 13, 1-13, que em síntese pontifica dentre as virtudes a fé, a esperança e a caridade. A maior delas é a caridade, isto é, o amor. Observará violeta que suas pétalas aveludadas e roxas se tornarão mais formosas. Ao transluzir a paz que o mundo deseja e por ela tanto clama será feliz e cumprirá seu destino. Mostre ao mundo que não está fadada tão somente a estufas.Eu sou feliz porque tenho por morada o campo inteiro, os brejos, os lagos, as minas de água fresca e só quem morou na roça sabe distinguir. Não queira terminar seus dias em um vaso de barro, manchado de lodo, e não falo por sarcasmo, mas se me é permitido um conselho, tome cuidado, porque ainda que adubada e regada, dependendo de seu estado de espírito acabará por se melar, fenecer e apodrecer. Não transforme sua vida em rotina menina, pois tem tudo para ser elegante e bela, tal qual esta borboleta que, por ironia do destino, é cor de violeta, a sugar de mim o néctar nesta suave manhã.

Nascemos para a felicidade

*Fernando costa

Nascemos para a felicidade e não para o sofrimento. Já ouvi inúmeras vezes que somos nós quem criou as doenças e os obstáculos. Nossa ansiedade em resolvermos tudo de uma vez é que acaba ocasionando estresse e desastres em nossas vidas. É evidente que o ser humano nasce inteligente. Uns desenvolvem melhor seus dons, outros são mais reticentes, mas, por que não buscarmos a felicidade? Nem todas as tarefas são agradáveis, mas, se tivermos boa vontade, o otimismo, a fé e a confiança como fios condutores viver será bem mais fácil. Aprendi com nosso pastor em Cristo que devemos viver cada dia de uma vez. E é mesmo. Não adianta a angústia que as provas diárias nos causam e nem fomentarmos amarguras e dissabores. Falo por mim, cada qual tem seu jeito de ser: quando não proclamo a liturgia e não rezo o Terço, sinceramente o dia não corre tranqüilo. Na verdade, raros foram esses dias, o mesmo ocorre ante a presença á Sagrada Eucaristia, seja aqui, no Japão ou onde for, jamais deixo de ir à Missa. Claro que se a pessoa estuda, se aprimora, seja não importa a área, suas possibilidades se multiplicam, mesmo assim, a vida não está fácil para ninguém. Hoje mesmo, pela manhã quando exercitava a Liturgia Diária e Recitação do Terço refletia sobre a Leitura 1Cor.12, 12-14.27-31 das Sagradas Escrituras quando São Paulo em sua carta falava aos Coríntios. Nos versículos 28 e seguintes ele orientava sobre os diversos dons que as pessoas eram dotadas. E perguntou: Acaso todos são Apóstolos? Todos são Profetas? Todos ensinam? Todos realizam milagres?Todos têm o dom das curas?Todos falam em línguas?Todos as interpretam? E busquei através da hermenêutica aos exemplos de vivência e de convivência nos dias de hoje. Ao partirmos da premissa de que só passamos por esta vida uma vez, não custa lutar para ser melhor. Por que dificultar o que se pode simplificar? Mas ser feliz é trabalhar naquilo que mais nos realiza e nos identifica. Ser feliz é fazer um pacto de amor com a vida, é tornar menos árida nossa convivência. Quantas vezes, no Rio de Janeiro, saio do fórum e vejo os profissionais sentados tomando seu chopinho, conversando, rindo, fazendo planos sob calor intenso e o suor a escorrer pelos rostos cansados de mais um dia de labuta. Se for fevereiro a cidade se engalana e caem no samba sem pudores, sem preconceitos, só alegria. A paixão pelo futebol é contagiante, nem eu que sou neófito nessa área me livro de torcer pelo nosso Flamengo respeitando o Vasco de Almir e de Rodolfo, o Botafogo de Renato e os demais times que lutam por um lugar na primeira divisão. E lá vão eles, uns em seu automóvel, outros em ônibus, moto ou trem. O importante é a vida. E você, está esperando o quê? Ela passa muito rápido. Há pessoas que deixa de viver sua vida para se imiscuir na dos outros. Falta do que fazer? Não precisa trabalha? Se assim for, ótimo, mas procure um livro para ler, uma obra social para ajudar, um bordado, um crochê, um hospital para visitar, uma das de idosos ou de crianças que precisem de voluntários. Dê tratos a seus neurônios, não deixe que a Alzheimer se propale e nem que a doença de Parkinson tome conta de você, pare de se preocupar com a vida alheia. Não importa a profissão religiosa, o importante é estar em sintonia com Deus tendo o Espírito Santo como Paráclito. Eu não escondo minha devoção Mariana e quem não descobriu Maria Santíssima em sua vida tem os faustos de sua caminhada mais pesados. Se liberte, ainda há tempo. Partindo ao popular como disseram os artistas Gonzaguinha, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e outros: “viver e não ter a vergonha de ser feliz”, “deixe a vida me levar”, “ eu já passei por tudo nessa vida”. Santas e sábias as palavras de São Paulo quando pontificou: “Aspirai aos dons mais elevados”.

*Jornalista

Trovas- Fernando Costa

Cada vez que rememoro
Meus folguedos de criança
Me bate forte a saudade
Cristalizada em lembrança.

Quantas vezes manuseio
Nossa história feita em cartas
Calam forte no meu peito
Saudades grandes e fartas.

A flor no meio do espinho
Sinônimo de saudade,
Deixa a gente em desalinho
Pelo amor que se evade.

O Paulo rumou os céus
Deixando aqui a saudade
Juntou-se aos Santos e aos seus
Nas mãos levou só bondade.

Quem planta o bem, com certeza
Ao partir deixa saudade
Quem planta o mal, que tristeza,
aniquila a caridade.

TROVAS

Fernando Costa

Decretou-se a liberdade
Portugal, país irmão,
Bate forte em igualdade
Dois povos num coração.

Petrópolis, minha musa
No meu riso e minha dor
Na minha esperança, incusa,
Presente no meu amor.

Petrópolis, só encantos,
Só você me faz sorrir
Flores por todos os cantos
O paraíso é aqui!

Se você quer ser feliz
Não hesite um só instante
É Petrópolis quem diz
Aqui o amor é constante.

Petrópolis berço amado
Meta, planos e abrigo
Dá vida ao que é sonhado
É regaço é peito amigo.

As pantufas deslizando
Lustrando tantas histórias
Vão aos turistas contando
O valor de tuas glórias.

Petrópolis, um privilégio da natureza

Fernando Costa

Contemplo meu enluarado Rio às seis da tarde. E pela janela descortina-se o alaranjado do céu, ora misturando-se ao cinza, entremeado a nuvens que, poluição ou não enfeitam o cenário. Em pleno cais do porto, mil navios importam e exportam produções e outras tantas mãos controlam guindastes e cada módulo vai ganhando um espaço novo. Em cada fardo, sob o olhar lânguido e esquivo do estivador que canta e assovia escudando sua dor e o suor brota em cada face esmaecida. Vejo imensos lay outs vendendo café, “lingeries à La Brunet” e muita cerveja Out doors infestam a avenida e em meio a algazarra todo mundo que ser... presidente. Sinto cheiro de sabão da América Fabril, são muitos e loucos automóveis no zum zum zum do povo que corre e tem pressa. Uma batida ali, um estilhaço acolá. Vou deixando a Avenida Brasil sem um adereço sequer, não se pode usar nem um pequeno adorno porque o povo teme os saques inesperados. Subindo a serra, o ar se renova, sinto o cheiro de mato e ouço coaxar dos sapos e sinfonia de cigarras, grilos em algazarra em meio a um coral de andorinhas que, de galho em galho disputam melhor espaço. Do alto, aos pés do Cristo, avisto um imenso manto bordado de luz, meu coração descompassa, tal qual milagre, me refaço, emociono-me e sorrio, nem acredito, mas é verdade, Petrópolis, está diante de meus olhos, aproximo-me, aperto a doce colina em meus braços e sinto o quanto estou perto do pedaço do céu.

Quer maior prova de amor
que alguém nos pudesse dar?
Deu-se à cruz, Jesus-Senhor,
pra humanidade salvar.

Ó Maria, concebida
sacrário de meu Senhor,
do mundo, salvas a vida,
com teu infinito amor!...

Bastam um naco de beleza
e a ternura de uma flor:
não preciso de riqueza,
se já tenho o seu amor...

As pantufas, deslizando...
lustrando tantas histórias,
vão , aos turistas, contando
o valor de nossas glórias.

Petrópolis minha musa,
no meu sorriso ou minha dor,
na minha vitória, incusa,
presente vindo do amor.

Petrópolis, só encantos,
inspiro-me sempre em ti
flores por todos os cantos...
o paraíso é aqui!...

Se você quer ser feliz,
não hesite um só instante,
pois Petrópolis nos diz:
aqui, o amor é constante!...

Não sei se louvo, primeiro,
o seu amor e bravura,
ou sua alma, por inteiro.
Deus fê-la anjo em candura.

Petrópolis , berço amado,
em metas, planos e abrigo,
da vida ao que é sonhado,
é regaço, é peito amigo!

Decretou-se a liberdade!
Portugal, país irmão,
vê fortes, em igualdade,
dois povos, num coração.


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