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Quadro Efetivo - Acadêmicos Titulares - CHRISTIANE BENAION MAGNO MICHELIN
CHRISTIANE BENAION MAGNO MICHELIN

Cadeira: 39 | Patrono: Padre Joaquim Moreira

Formada em Letras Anglo Germânicas pela UCP, Christiane Michelin cursou, também, jornalismo na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro.
Foi professora de inglês em 3 importantes instituições na cidade, por mais de 15 anos, até abrir o Espaço de Arte e Cultura C.M, onde lecionava, também, sapateado.
Como professora de sapateado e coreógrafa, criou, dirigiu e participou por mais de 15 anos do Grupo de Sapateado C. Michelin, tendo assinado inúmeros espetáculos musicais, unindo sapateado, poesia, teatro e música.

Como escritora publicou os seguintes livros:

• O Abecedário do Viajante – Editora Líterris – R J – 1999
• O Abecedário do Casal em Busca de Prazer – Editora Líterris – R J –2000
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2000 / 20001
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2001 / 2002
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2002 / 2003
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lzaer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2003 / 2004
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2004 / 2005
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2005 / 2006
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2006 / 2007
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2007 / 2008
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2009 / 2010
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2011 / 2012
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Petrópolis, Itaipava e Arredores 2012/ 2013
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Teresópolis e Nova Friburgo, 2010
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Teresópolis e Nova Friburgo, 2011
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Teresópolis e Nova Friburgo, 2012
• Guia de Gastronomia Hospedagem e Lazer de Teresópolis e Nova Friburgo, 2013
• Os 7 Pecados Revisitados em parceria com a psicóloga Sonia Santos– Editora Ideias e Letras- São Paulo - 2004 – ( em 2005 foi lançada da 2a edição)
• Convite de Casamento, Editora Poiésis, 2005
• O Abecedário de Pais e Filhos, Editora Ideias e Letras, 2006 – (em 1012 foi lançada a 2ª edição)
• Convergência, no qual assina os poemas e Fernando Magno as crônicas, 2007
• A Ordem do Caos, 2011, indicado ao prêmio Guerra Peixe de Cultura e vencedor do prêmio de livro do ano conferido pela Academia Petropolitana de Letras.

Outros cursos e atividades profissionais:

- Trabalhou na revista Estações de Itaipava em 2001
- Foi redatora do programa de rádio Revista Cultural de Domingo em 2002.
- É colunista do Jornal de Petrópolis desde 2000 assinando as colunas Arredores e Gourmet e assina uma coluna de gastronomia no Diário de Petrópolis. Assinou por 3 anos a coluna da Academia Brasileira de Poesia, da qual fez parte até fevereiro de 2013, tendo tomado a decisão de afastar-se, junto com um seleto grupo de Acadêmicos, por conta de discordâncias em relação a atitudes durante o precosso eleitoral para a atual Diretoria. Assina, também, a coluna da Academia Petropolitana de Letras, na Tribuna de Petrópolis e no jornal Com Textos.
- Assinou colunas de gastronomia e hospedagem na revista Estações de Itaipava e uma coluna sobre vinhos no Caderno Todos do Diário de Petrópolis.
No teatro, escreveu, atuou e dirigiu o espetáculo As Mulheres de Vinícius, 2010, na Casa de Cláudio de Souza e na UCAM ( Universidade da Mulher) e, escreveu e dirigiu, em 2012, o espetáculo “Coisas de Mulher.

Prêmios e distinções:

- Presidente da Academia Petropolitana de Letras
- Membro da Academia Brasileira de Poesia
- Destaque na Cultura na Cerimônia de Personalidades do Ano, em 2000.
- Prêmio de dramaturgia pelo espetáculo Tempo Daquele Tempo conferido pela Academia Petropolitana de Letras em 2003.
- Prêmio destaque em jornalismo Região Serrana outorgado pela agência BR7 – 2005
- Revelação ( Personalidade do ano) 2006
-Prêmio Roberto D´Escragnole pelo Conjunto de Obras conferido pela Academia Petropolitana de Letras em 2011
- Indicação ao Prêmio Guerra Peixe pelo livro A Ordem do caos em 2011
- Prêmio conferido pela Academia Petropolitana de Letras ao livro A Ordem do Caos, em 2012.
- Foi membro da Academia Brasileira de Poesia por aproximadamente 10 anos.
- Participou, em 2012, da Comissão do Prêmio Guerra Peixe de Cultura.

Trabalhos:

Heidelberg – a cidade dos Filósofos

Amigos de amigos nossos, Nadja e Harry , ao saberem que iríamos passar pela Alemanha, insistiram que déssemos uma parada, de dois dias, que fosse, em Hildelberg. Sentiam-se com uma dívida eterna de gratidão para com os brasileiros por conta de uma estada inesquecível em terras brasilis. Lá fomos nós. Sem falarmos alemão, ficamos aliviados ao saber que nossos anfitriões arranhavam bem o português. Aquela seria nossa primeira vez na Alemanha. Curiosa que sou, filha de um Fernando não menos apaixonado por mapas e histórias de outros continentes, tratei de, com sua ajuda, desenhar um roteiro bastante inspirador e detalhado sobre nossa estreia em terras estrangeiras. Quando digo nossa, refiro-me sempre a Arnaldo, meu marido. Casados de pouco, juntamos todas as nossas economias para um tour que ficasse em nossas memórias. Foi dito e feito. Poucos foram os dias que não fossem dignos de páginas e mais páginas em meu diário de viagem.
Com nosso roteiro em mãos, ainda no Brasil, pudemos combinar com Nadja – uma guia de turismo – e seu marido, um engenheiro químico - o dia e a hora que chegaríamos. Depois do primeiro contato, via carta – e-mails ainda eram “bichos desconhecidos” no início dos anos 80 – só nos comunicamos, novamente, já em Paris. Chegaríamos por volta das 11h. Foi o que combinamos por telefone.

- Ok, minha querrrida! Aguarrrdo vocês neste horrrrário na estação. Parrrra me rrreconhecerrr, sou lourrrríssima e estarrrei de vestido verrrrmelho.
- Perfeito, Najdja! Até amanha, então.

No dia seguinte, deixamos Paris com saudades na bagagem, mas, com grande expectativa não só em relação ao novo país, mas, igualmente, pelo fato de que iríamos ficar, pela primeira vez, hospedados na casa de nativos. Iríamos experimentar, de fato, um pouquinho da vida cotidiana em outro país. Aquilo nos encantava.
O trem partiu da gare pontualmente, como de costume. Aos poucos, pudemos notar que a paisagem ia se modificando. Os ares já eram outros, sem dúvida. Nos corredores do trem misturavam-se os idiomas em uma fanfarra multicultural.
Chegamos ansiosos por conhecer nossa “amiga desconhecida”. Qual não foi nossa surpresa! Paris, Londes e Milão certamente haviam decretado que a moda naquele verão seria o vermelho. Para onde quer que nos virássemos, só havia louras mulheres em rubros vestidos.

- Oi, me desculpa, você é a Nadja?
-Ich spricht nicht portuguese
- - Ah... tá...

Esse mesmo diálogo se repetiu por mais de 15 minutos. Era vã a nossa busca. Havia uma explosão de “Nadjas” naquela banhoff. O que fazer?
Conseguimos encontrar o endereço do casal anfitrião e alguém que falasse inglês para lê-lo corretamente. Papagaia que sou, imitei a pronúncia no taxi e lá fomos nós.
Na porta de casa, atônita, mais uma loura de vestido vermelho.

- Nadja? Perguntei ainda desconfiada.
- O que aconteceu com vocês, meninos? Disserrrrram que chegarrrrriam porrr volta das 11h! Fiquei na plataforrrma de desembarrrque de Parrrris até 11h08 e nem sinal de vocês!
- 11h08? É que chegamos às 11h15, mais ou menos.
- Porrrr que? O que houve?
- Nada... Avisamos que chegaríamos por volta de 11h.
- Pois então... Como vi que não chegarrrram até 11h08, concluí que tivessem mudado de itinerrrrrárrrrrrio.
Foi assim que começamos a compreender que por mais que os vestidos vermelhos estivessem na moda em todo o Globo, e que mesmo que todas as loiras decidissem usar um único modelo Valentino, ainda assim, existiriam diferenças fundamentais entre cada uma delas. E viva as diferenças!

Áustria

Viena é cidade aristocrática e elegante. Cortada pelo Danúbio resplandece em jardins. A prefeitura imprime, talvez, maior impacto pelas jardineiras em suas janelas, abarrotadas de gerânios, do que pela própria arquitetura, que seja dito, verdadeira obra de arte.

Residência de Mozart, Schubert e Beethoven, a cidade possui mais de 40 museus, dentre eles, a Casa de Freud, onde seu chapéu, bengala e seus livros parecem esperar por sua chega, a qualquer momento.

O Palácio de Shönbrunn, morada de verão dos Hapsburgos no século 16, depois do imperador Franz Joseph e, finalmente da imperatriz Maria Tereza, que deixou sua marca entre 1743 e 1749, é um primoroso exemplar de bom gosto. Por lá, tudo impressiona, os cômodos chineses, o quarto onde se hospedava Napoleão, o quarto das porcelanas e o teatro, o mais antigo de Viena. De lá seguimos para Hofburg, residência oficial dos Habsburgos, com sua capela gótica, as joias da coroa, os tesouros da igreja, os quadros imperiais e algumas curiosidades: uma capela com 54 urnas, guardando o coração de cada um dos membros da família, onde, inclusive, casou-se Napoleão, e uma coleção ímpar de instrumentos musicais, incluindo os pianos de Beethoven, Schubert e Gustav Mahleer.

Da gastronomia austríaca, o que mais me interessou foi a inacreditável torta Sacher – uma combinação de chocolate amargo e damascos. O vinho, por sua vez, servido em Grinzing – certamente muito mais pelo encantamento das tabernas, com gente local, conversando, cantando animadamente, do que pela qualidade da bebida, propriamente dita, também me encantou.

Na manhã seguinte, partimos para Insbruck, uma estação de esqui, com cafés nas calcalçadas e telhados de ouro. Continuamos o passeio em direção a Salsburg, cidade que serviu de locação para a família Von Trapp e sua inesquecível Noviça Rebelde. O Castelo de Leopoldskron emprestou sua fachada, bordeando um lago, para a casa da família. Hoje é sede do Seminário de Salzburg e só pode ser visitado externamente. Em Salzburg nossos sonhos se materializam em praças floridas, ruas estreitas, todas engalanadas com bandeirolas e a presença marcante do castelo de Hohensalsburg, ostentosamente sobreolhando a cidade, onde quer que fôssemos. Lá em cima, o encantamento é ainda maior. O descortinar-se da cidade é de tirar o fôlego. O mais interessante, entretanto, foi o show de dança folclórica vienense. Já não me lembro o prato principal que foi servido durante o jantar, mas a sobremesa continua sendo inesquecível – crepe de frutas do bosque.

Quando dei por mim, havia aceito o convite e estava no palco, participando daquela magia. Há quem torça o nariz dizendo que essas coisas são feitas só para turistas. É certo que são. Mas, afinal de contas, o que somos nós senão meros e curiosos turistas quando em viagem de férias?

Baviera

Cidade da cerveja e dos salsichões, Munique tem muito mais a oferecer do que apenas seus famosos canecos de chope. Os biergartens – cervejarias ao ar livre sob frondosas amendoeiras – são, sem dúvida, pousos cheios de encantamento. Os bradwurts que, trocando em miúdos, vêm a ser salsichão com chucrute, igualmente, enchem de sabor a vida de turistas e nativos. Os museus, palácios, catedrais e castelos da cidade e seus arredores, são, todavia, suas maiores atrações.
O castelo de Neuchweinstein, a menos de uma hora de Munique, é visita mais do que obrigatória, tanto por sua beleza e magia, transportando-nos a terras de faz de conta, quanto pela surpreendente história a cerca de seu idealizador.
Construído na segunda metade do século XIX, a mando do rei Ludwig II da Baviera, o novo cisne de prata – tradução de Neuchweinstein – foi inspirado na obra do compositor Richard Wagner, grande amigo do rei.
Referencia ao Cavaleiro do Cisne, da ópera do mesmo nome, o castelo foi desenhado por um cenógrafo. Daí sua aparência entre o onírico e o teatral.

Com 6.000m2, 4 andares, 80 m de altura e inúmeras torres, sua beleza e imponência serviu de inspiração para Watt Disney e sua Cinderela. Ludwig, um aficionado pelas artes e pelo belo, mais especialmente pela ópera, fez questão de imprimir em seu sonho o verdadeiro espírito dos velhos castelos dos cavaleiros alemães, fazendo, ainda, menção às obras do amigo Wagner, em cada um dos cômodos.

Alguns detalhes mereceram de nós atenção especial como o candeeiro com pedras preciosas incrustadas, na sala do trono, e a falta de trono, já que o rei morreu antes que o mesmo estivesse terminado. A reprodução de uma gruta, em uma das salas, com estalactites e estalagmites resplandecendo, é outra visão impactante. Em sua suíte, a cama de dossel, tem a cabeceira totalmente entalhada manualmente, em uma menção às torres de uma das catedrais da Baviera, enquanto seu sanitário particular, ostenta uma bacia em forma de cisne, com torneiras e maçanetas em, ouro, seguindo o mesmo desenho. O hall dos cantores foi construído para as apresentações de Wagner, entretanto, Ludwig não viveu para ver sua inauguração.

O castelo foi dos primeiros a usar eletricidade na Baviera, bem como outros tantos equipamentos modernos, a exemplo de um armário aquecido em sua cozinha.
Em 1886, 17 anos após o início da obra, com “apenas” 14 cômodos terminados, Ludwig, foi considerado insano pela Comissão de Estado, sem sequer ter sido examinado. A partir daí, foi aprisionado em seu próprio castelo, antes de ser levado para Berg. Talvez a tal comissão e sua família tenham se atido apenas aos gastos, de fato altos, sem levar em consideração o marco de beleza e sensibilidade – uma ode a arte – que estava sendo construído.
Naquele mesmo ano, Ludwig foi encontrado morto, afogado nas águas superficiais do lago Starnberger, junto com o psiquiatra que atestou sua loucura, sem nenhuma causa definida até os dias de hoje.
Se de médico e de louco todos temos um pouco, resta- nos saber quem era quem nesta história.


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