Academia Petropolitana de Letras
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Memória Acadêmica
JOÃO PAULO CARNEIRO

João Paulo Carneiro Pinto, o grande maestro nascido em Goiânia, Pernambuco a 26 de junho de 1854, fundador da Escola de Música Santa Cecília a 16 de fevereiro de 1893, foi dos mais entusiasmados fundadores da Academia Petropolitana de Letras, comparecendo às reuniões e dela participando ativamente até seu falecimento em 10 de setembro de 1923. Em sua pequena cidade natal, aprendeu música com o pai, regente da banda local; em seguida aprimorou estudos em Recife, no Centro de Ciências e Artes. Veio para o Rio de Janeiro, matriculando-se no Conservatório de Música, onde se destacou como dos primeiros alunos, recebendo medalha de prata e a Grande Medalha de Ouro que lhe foi entregue pessoalmente pelo Imperador D. Pedro II. Participou, desde então, de grandes orquestras sendo exímio violinista e "spalla". Lecionou para as crianças de famílias nobres e, no início da última década do século XIX, subiu para Petrópolis acompanhando a família Motta Maia, como professor das meninas. Aqui, apaixonado pela musicalidade de tudo, resolveu estabelecer-se com uma sala para ensino de crianças vocacionadas para a música, criando a Escola de Música Santa Cecília, tornada por sua dedicação e competência uma feliz referência de qualidade e atuação marcante na cidade. Até falecer esteve à frente de tudo, soberbamente coadjuvado por professores leais e amigos, estabelecendo sua Escola nas dependências do Hotel Bragança. Participou de solenidades, concertos, audições e, para complementar o sustento da atividade, recebia pensões anuais da Municipalidade, primeiro da Câmara Municipal e, em seguida, da Prefeitura instalada a partir de 1916, já que nada cobrava dos alunos de pequenas posses pecuniárias. Vivia no Hotel Bragança modestamente, festejado e admirado por toda a cidade. Deixou um marco e hoje é referência de tenacidade e amor pela arte musical, além de ser recordado como homem de sentimentos puros e de grande capacidade de trabalho. Ao falecer só dispunha de alguns instrumentos musicais e modestos objetos de uso pessoal, quase tudo doado pelo filho Sanctino aos continuadores da obra do maestro. Coube à Associação Petropolitana de Ciências e Letras, a nossa hoje Academia, realizar o féretro e, mais tarde, encabeçar a campanha pelo mausoléu do grande e querido professor e maestro. Quem se dispuser a uma pesquisa histórica na imprensa da cidade há-de encontrar o maestro Paulo Carneiro no noticiário diário, sempre em atividade e colaborando em todas as atividades culturais com sua participação direta e de seus alunos, com os quais montou pequena orquestra. Sua memória e, mesmo, culto respeitoso, tornou-se possível e eterna graças aos amigos aos quais legou a Escola de Música: Reynaldo Chaves, Walter Echkardt, José Wendling, Luiz Reynaud, André Tannein, Oscar Monteiro Lázaro e Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos, que a perpetuaram, tornaram-na sociedade civil e que hoje, centenária, é um dos orgulhos da Cultura Petropolitana.


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