Academia Petropolitana de Letras
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Memória Acadêmica
NENZINHA MACHADO SALLES

Orminda Machado Salles nasceu no ano de 1921, em São Manoel, pequena cidade do interior de São Paulo, em uma fazenda de sua avó, onde nasceram Nenzinha e seus outros cinco irmãos. Residia em São Paulo, capital e passava as férias com a família na fazenda. Desde menina acompanhava os quitutes preparados pela avó e cozinheiras e todos os trabalhos domésticos produzidos pelos empregados, até, que um dia, resolveu ir anotando tudo em um caderno. Em 1959 casou com Mário A C. Salles e fixou residência em São Paulo para, passados 15 anos, mudar-se para Petrópolis, a partir do ano de 1974. A cidade por seu clima e sua tranqüilidade inspirou seu trabalho de organização das informações do seu caderno de receitas, atividades e quebra-galhos, ao tempo em que criava e educava seus filhos José Eduardo e Antônio Carlos. Enviuvando cedo, exímia pianista, não entrou no circuito penoso de audições e concertos preferindo continuar organizando o caderno visando editar o valioso material em livro. Em 1978 surgia pela Civilização Brasileira "Sebastiana Quebra-Galho", prefaciado pela amiga escritora Vilma Guimarães Rosa, constituindo-se em sucesso absoluto. Novas edições com acréscimos e enriquecimentos temáticos e o livro tornou-se uma bíblia da especialidade, suplantando alguns livros até então campeões de vendas, como o famoso "Receitas da Dona Benta". "Sebastiana Quebra-Galho" está na 33ª edição, pela Editora Record (2001), com cerca de 200 mil exemplares vendidos em pouco mais de 20 anos. Empolgada pelo justo sucesso, Nenzinha não parou de escrever, publicando novos best-sellers: "Maria Melado" (1979), em 3ª edição; "Simpatias da Eufrásia" (1986), em 4ª edição; "Tira Manchas" (1987), com 4 tiragens e o belo livro de contos "Contos que te Conto" (1995) em 2ª edição, editado pela Record em 1999, com prefácio introdutório de Raquel de Queiroz, encantada com o talento e a obra de Nenzinha. Em 12 de dezembro de 1997 foi eleita para a cadeira nº 23, patrono Augusto Meschick, da Academia Petropolitana de Letras, sendo empossada a 8 de julho de 1999. Interessada, prestativa, atuante, Nenzinha estava sempre presente e disposta à colaboração, porém, foi acadêmica por pouco menos de 1 ano, falecendo a 2 de junho de 2000. Deixou imensa saudade e uma lacuna impreenchível na vida petropolitana. Eis um depoimento de J. Eloy Santos sobre a querida acadêmica: Nenzinha Machado Salles começou a perder a visão, o que a entristecia muito, sendo obrigada a valer-se do amparo de seus filhos, noras e netos para o comparecimento às atividades sociais e literárias. Assim foi na sua posse acadêmica. Três meses da posse, em outubro de 1999, o Grupo Recontando de Comédia estreou a peça "O Tesouro de Manteiga", no Teatro Santa Cecília. Estava eu, na qualidade de diretor do espetáculo e na cena e vi Nenzinha na platéia rindo e se divertindo com o espetáculo. Mas, como? - pensei - ela não pode ver... Terminado o espetáculo lá estava ela abraçando a todos. Diante da minha admiração, disse em meio à sua alegria juvenil: - Estou vendo, operei os olhos e foi o seu espetáculo o primeiro quadro vivo colorido dessa minha nova vida!


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